
http://www.mariafillo.org/bau_da_fillopag06a.htm
Muitos de nós tememos ou já tivemos que passar pelo tratamento de um animal com Erlichiose, ou melhor, Doença do Carrapato. Eu mesma sou uma que estou lutando contra essa maldita.
Essa é uma doença bastante “comum” principalmente nas regiões tropicais e subtropicais como aqui no Brasil .¹ É bem verdade também que está bastante banalizada e falsamente diagnosticada por profissionais que por preguiça, ou qualquer outro motivo que não me vem na mente, diagnosticam um animal sem provas suficientes como portador da Erlichiose.
Porém o que muitos veterinários parecem não saber é que a Erliquiose pode ser ter semelhanças clínicas com outras doenças como Trombocitopenia auto-imune, lupus eritrematoso, leucemia, Coagulação intra-vascular disseminada, neoplasia esplênica, e esplenite sendo assim de suma importância exames complementares para o devido diagnóstico de erlichia.
Como é que meu animal pega a Doença do Carrapato?
Um carrapato contaminado normalmente da espécie Rhipicephalus sanguineus com a Erlichia canis transmite ao seu animal a Erlichia ao sugar o sangue dele. Sua saliva torna-se potencialmente transmissora da erlichia que ele alberga.(3)
O Carrapato responsável pela erliquiose canina (Rhipicephalus sanguineus) gosta de se esconder em tocas, ninhos e até em esconderijos em canis.Ele habita ambientes urbanos. (6)
http://www.icb.usp.br/~marcelcp/Rhipicephalus.htm
Mas, e a erlichia? O que é? Ela é uma bactéria intracular obrigatória (ou seja, só sobrevive dentro de células) que prefere as células eucarióticas como os leucócitos, plaquetas, neutrófilos e monócitos .(1,2,3,4)
Erlichia dentro de linfócitos
http://patclinveterinaria.blogspot.com/2010/09/ehrlichiose-canina.html
O animal também pode ser parasitado pela erlichia ainda dentro da barriga de sua mãe. Se essa por sua vez estiver infectada, junto com as inúmeras trocas que ocorrem entre mãe-filho pela placenta e vasos endoteliais, a erlichia irá também ser transmitida aos descendentes². Além dos filhotes poderem “pegar” a “doença do carrapato através da mãe”, eles podem não ter essa “sorte” e morrerem precocemente ou nascerem malformados.(2)
Isso acontece porque como a hemoglobina é a célula responsável pelo transporte de oxigênio, e a erlichia age causando hemólise (ou seja, quebrada da hemoglobina) o corpo da cadela fica mal oxigenado e consequentemente seus filhotes também. Tudo isso é importante para se mostrar a importância de todo um acompanhamento antes, durante e após a gestação. (Posse responsável em primeiro lugar sempre)(2)
A erlichia não afeta apenas os cães,eles podem ser importantes fatores de zoonose transmitido também para os humanos. Na América do Norte, ainda se tem a erliquiose humana que é transmitida pela Erlichia chaffensis. No Brasil as doenças transmitidas por carrapatos a humanos não tem significância suficiente na Saúde Pública humana.( 4)
http://dogsfofuxos.blogspot.com/2009/11/cuidados-com-o-seu-cachorro-carrapatos.html
Os animais silvestres, gatos, cavalos e bois também podem ser afetados por essa doença.
Sintomas:
O animal pode apresentar três formas da doença: a aguda, a subclínica e a crônica.
A aguda caracteriza-se por anemia, febre, emagrecimento, depressão, anorexia.¹ É a fase que a erlichia ainda pode ser diagnosticada através de esfragaços sanguíneos retirando gotas de sangue da orelha do cão.
Normalmente esses sintomas começam a aparecer 10 a 14 dias depois da infecção.
A diminuição das plaquetas é um achado em 100% dos animais infectados² devido à característica da erlichia em causar destruição das células sanguíneas (hemólise). Com isso podem acontecer pequenas hemorragias pelo corpo. Alguns animais apresentam petéquias pelo corpo e sangramento nas mucosas. (5)
Porém, os sintomas não são apenas febre, devido à sua ação a erlichia também pode afetar os olhos dos cães causando opacidade da córnea e uveíte.(5)
Da fase aguda, o animal pode-se curar totalmente ou evoluir para a frase crônica.
A fase subclínica é caracterizada pela falta de sintomas clínicos¹; Os animais da fase subclínica (ou assintomático) podem se curar sozinhos da doença ou passar pra fase crônica. Essa fase subclínica pode durar até de meses até 4 a 5 anos².
Na fase subclínica, o animal pode apresentar elevados títulos de anticorpos contra a erlichia, mas mesmo assim ser assintomático.³ É o que está acontecendo com o meu Pepe. Nenhum sinal e as plaquetas um pouco abaixadas, mas a titulação dele está altíssima.
Além dessas duas fases, o animal também pode ter a fase crônica que advém da fase aguda² e aparece normalmente 1 a 4 meses após a picada do carrapato sendo caracterizada por aumento de baço, perda de peso, sinais neurológicos, diminuição das plaquetas e leucócitos.¹ A fase crônica é a última das etapas da erlichiose podendo ser tão severa que leva o animal a óbito.
Nessa fase, as plaquetas estão bem abaixo do normal, os animais apresentam-se caquéticos, apáticos e com susceptibilidade a infecções secundárias por sua imunidade estar muito baixa². e normalmente é necessário entrar com transplante sanguíneo para o animal conseguir ter forças para lutar contra o agente. Os animais podem também apresentar devido à baixa muito grande das plaquetas sangramentos na pele, olhos, nariz e mucosas. Além de diarréias sanguinolentas que são chamadas de melena.
No leucograma(avaliação laboratorial das células de defesa) também pode ser notado uma baixa dos leucócitos.¹
Além desses sintomas, o animal também pode apresentar aumento do fígado(hepatomegalia), aumento do baço (esplenomegalia), linfadenomegalia, distúrbios cardíacos e respiratórios, nervosos e oftalmológicos. ²
Diagnóstico:
O diagnóstico é feito através de avaliação clínica do animal e da avaliação do hemograma e leucograma do mesmo.
Se o animal estiver na fase aguda, pode-se fazer um esfregaço sanguíneo retirando uma gota de sangue da orelha do animal onde irão se encontrar mórulas de erlichia na pesquisa pelo microscópio(5).
A detecção dos anticorpos para Erlichia Canis através da técnica de imunofluorescência indireta de anticorpos também um dos aliados na hora de diagnosticar seu animalzinho.
O método de ELISA normalmente é utilizado em animais na fase subclínica e crônica devido à pouca “quantidade” de mórulas de Erlichia no sangue.
Além dessas técnicas, ainda temos o PCR que é a detecção do DNA da erlichia no animal. A técnica de PCR é bastante específica e é encontrada nos animais desde os primeiros dias de infecção, desde que seja feita de uma forma correta. (5)
Tratamento
O animal é tratado com um antibiótico que tem duração no animal de 10 a 12 horas sendo portanto necessária a administração duas vezes por dia (12 em 12 horas) e o demais tratamento deverá ser de suporte, para anemia, hemorragias, desidratação, etc.
O tratamento dura de 21 a 28 dias initerruptos.
Prevenção
A melhor forma de prevenir é evitar que seu cão seja picado pelo carrapato. Infelizmente, a maioria dos produtos anti-carrapaticidas do mercado tem a necessidade de que o animal seja picado. Surgiu agora um prac-tic da novartis que promete matar o carrapato por contato na maioria das vezes, e a meu ver, é um aliado contra a Erliquiose.
http://guiauniversopet.com.br/2011/02/08/novartis-saude-animal-lanca-novo-medicamento-contra-pulgas-e-carrapatos/
Além disso, o tratamento do ambiente é muito importante. Eu particularmente sou fã do MyPet pois foi o único que deu jeito na última infestação que tive aqui em casa.
Referências
1. DIAS, Gabriela Cristina Gibrin, TIEPO, Juliana Franzé. Erlichiose Canina. Universidade Castelo Branco. São José do Rio Preto, novembro,2008.
2. MELO, Renata Gabriela Ambrosina Silva de Melo, et.al., Erlichiose como um fator agravante da gestação.
3.MENESES, Íris Daniela Santos de, et.al. Perfil clínico Laboratorial da erlichiose monocítica canina em cães de Salvador e região metropolitana, Bahia. Revista Brasileira Saúde Prod. Animal, v.9, n.4, p. 770-776, out/dez 2008.
4. PACHECO, Richard Campos. Zoonoses transmitidas por carrapatos. setembro,2008. Guarapiri, ES.
5. SOUSA, Valéria Regina Franco, et. al. Avaliação clínico molecular de cães com erlichiose. Ciência Rural, Santa Maria, v.40, n. 6, p. 1309-1313, jun 2010.